"- É, o problema é esse. É que eu sou complicado e completamente não auto-confiante. Eu me transformei num alguém que nem eu mesmo sei porque está rindo, chorando ou programando alguma surpresa. Aliás, o que seria surpresa para quem está sempre decepcionando? O que seria realmente inimaginável, dentro dessa teia que eu criei de imprevisibilidade? Não sei. Só sei que é difícil manter esse silêncio profundo em que me encontro, onde tanta besteira é falada, gritada, cantada e sorrida e o que realmente importa está sempre guardado. É sempre trancafiado, na tentativa de não causar incômodo. Na verdade o incômodo acaba que se instaura, já que a fuga traz consigo uma série de imprevistos e um conjunto inteiro de peças de dominó que vão caindo uma por cima da outra e sendo assim é impossível, por vezes, a estrutura das relações não serem abaladas ou fragilizadas. É, o problema é ésse. É que quando a gente é criança, as coisas são empurradas pra cima de nós. Um mundo inteiro de caos em cima de nossas cabeças. Seres pequenininhos recém-chegados a dministrar dentro do nosso mundinho, onde ' - Cuidado, bebê! Não saia não que tem um bicho na porta da cozinha que pega criancinha que sai sozinha!' todas as mudanças que os adultos fazem sem nos consultar. Aí meu amigo, só muita terapia pra aliviar tanto travo. Aí pra chegar e levar pra terapia, conta também quanto tempo você disperdiçou porque não conseguiu mais levar o barco. Por que terapia custa caro e eu ainda não tenho dinheiro pra suprir as minhas necessidades. Perdi o ano várias vezes no colégio. Fiquei atrasado, inventanto desculpas."
Sexta-feira, Dezembro 28, 2007
Mil desculpas!
"- É, o problema é esse. É que eu sou complicado e completamente não auto-confiante. Eu me transformei num alguém que nem eu mesmo sei porque está rindo, chorando ou programando alguma surpresa. Aliás, o que seria surpresa para quem está sempre decepcionando? O que seria realmente inimaginável, dentro dessa teia que eu criei de imprevisibilidade? Não sei. Só sei que é difícil manter esse silêncio profundo em que me encontro, onde tanta besteira é falada, gritada, cantada e sorrida e o que realmente importa está sempre guardado. É sempre trancafiado, na tentativa de não causar incômodo. Na verdade o incômodo acaba que se instaura, já que a fuga traz consigo uma série de imprevistos e um conjunto inteiro de peças de dominó que vão caindo uma por cima da outra e sendo assim é impossível, por vezes, a estrutura das relações não serem abaladas ou fragilizadas. É, o problema é ésse. É que quando a gente é criança, as coisas são empurradas pra cima de nós. Um mundo inteiro de caos em cima de nossas cabeças. Seres pequenininhos recém-chegados a dministrar dentro do nosso mundinho, onde ' - Cuidado, bebê! Não saia não que tem um bicho na porta da cozinha que pega criancinha que sai sozinha!' todas as mudanças que os adultos fazem sem nos consultar. Aí meu amigo, só muita terapia pra aliviar tanto travo. Aí pra chegar e levar pra terapia, conta também quanto tempo você disperdiçou porque não conseguiu mais levar o barco. Por que terapia custa caro e eu ainda não tenho dinheiro pra suprir as minhas necessidades. Perdi o ano várias vezes no colégio. Fiquei atrasado, inventanto desculpas."
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